O governador de Minas, Aécio Neves, em evento internacional
A menos que houvesse novidades relevantes que a confirmassem ou não, este blogueiro não pretendia voltar ao assunto da suposta agressão -- que não se sabe, de forma irrefutável, se aconteceu realmente e por que teria acontecido --, do Aécio Neves contra a sua namorada Letícia Weber. Fiquei esperando ao longo destes últimos três ou quatro dias que surgissem tais novidades, como depoimentos de outras testemunhas ou fotos ou até mesmo vídeo gravado por algum celular num evento onde haveria centenas ou milhares de aparelhos de última geração -- e nada. Fiquei especialmente antenado na coluna e no blog do Juca Kfouri, já que foi ele o autor da nota de maior repercussão, achando que deveria ter se aprofundado no assunto. Já que era o pai da matéria, deveria mostrar que sua competência como jornalista não se limita ao campo esportivo.
No mínimo, entendo ele deveria ter mostrado para a sua fonte, supostamente
"de total confiança", as fotos da Letícia Weber que estão na Internet, muitas delas ao lado do próprio Aécio, para que o seu informante que, segundo o próprio Juca, estava a cinco metros de distância dos dois protagonistas do barraco, confirmasse se a agredida e derrubada ao chão era a namorada Letícia Weber ou se seria alguma outra
"acompanhante". Ele poderia convidar o tal informante até a fazer isso visitando este PG, onde as fotos da namorada estão postadas desde a última quarta-feira (rs rs rs).
Seria muito fácil ao Juca fazer isso e nos dar a resposta da sua fonte -- mas ele, apesar de ser um bom jornalista, não o fez. Entendo que está cometendo um grave equívoco, pois a sua credibilidade, adquirida ao longo de mais de 30 anos de exercício da profissão com dignidade e seriedade, está correndo sérios riscos.
Diante do seu silêncio ou da sua omissão, e também da ausência de novas informações relevantes dos grandes veículos, resolvi buscar na internet outras versões do que teria acontecido.
Percorri, ontem (sábado), mais de 100 sites ou blogs, com a ajuda do Google, mas quase todos se limitavam a comentar com base no que já havia sido publicado ou postado até as duas postagens do Juca Kfouri. As revistas que circularam no final de semana também se calaram ou se omitiram, o que achei bastante estranho. Por exemplo: a Veja não ter entrado num tema como este, de grande repercussão, é uma omissão inexplicável. Acho que estão faltando editores de pauta e repórteres investigativos mais competentes e mais corajosos na redação da revista. Não acredito que ela tenha sido cooptada, como o são os jornais de Minas Gerais, que praticam atualmente um dos mais lamentáveis exemplos de jornalismo subserviente, lambe-botas, de toda a história do estado em que nasci -- aliás, com muito orgulho.
Minhas pesquisas não foram totalmente inúteis -- elas trouxeram alguns fatos e informações que resolvi postar aqui agora, até para que fiquem como registro de que pelo menos um jornalista mineiro, entre tantos, não vai sossegar ou deixar este assunto morrer sem tirar lições e conclusões mais consistentes do episódio.
Um outro blogueiro, que não conhecia, também quis saber maiores detalhes dos fatos narrados por Juca Kfouri e por outros blogs. Chama-se Renato Rovai e é diretor da Revista Forum, que também não conheço -- nem ele nem a revista. Mas o Rovai deve ser amigo do Juca Kfouri e conseguiu entrevistá-lo. Publicou no seu blog, no dia 3/11, às 18:33, o seguinte post (segue em
azul) [Link
aqui, para quem quiser conferir]
Juca Kfouri diz que checou informação e ataca PHA
(03/11/2009 18:33)
Entrevistei Juca Kfouri para tratar de sua nota em relação à agressão que teria sido praticada contra a namorada pelo governador Aécio Neves. O texto já foi encaminhado ao Paulo Henrique Amorim, para ver se ele quer comentar a parte onde é citado. Segue abaixo a conversa:
Renato Rovai: - Quando você recebeu a informação de que essa agressão havia ocorrido?
Juca Kfouri: - Recebi no sábado pela manhã um e-mail contando a história e comentando uma nota da Joyce Pascowitch. Vi que o assunto tinha sido tratado pela Barbara Gancia no Twitter e aí fui atrás da informação. Conversei com uma pessoa que foi na festa e que disse que estava a cinco metros do acontecido, tendo visto a moça tomar um tapa e cair no chão. Contou ainda que a viu se levantar e reagir indo pra cima dele.
RR: - Você confirmou a história com outras pessoas ou confiou plenamente na sua fonte?
JK: - Antes de dar a nota fiz quatro ou cinco ligações pra festeiros cariocas amigos meus e todos me confirmaram a história, apesar de não terem visto a cena.
RR: - Você diz em seu blog que "A imprensa brasileira não pode repetir com nenhum candidato a candidato a presidência da República a cortina de silêncio que cercou Fernando Collor, embora seus hábitos fossem conhecidos". É possível ser mais claro em relação a essa frase?
JK: - É isso mesmo que você está pensando, Renato. Circulam mil histórias em relação ao Aécio, histórias que, aliás, o Mineirão canta em coro [durante a partida Brasil e e Argentina, no ano passado, parte da torcida presente entoou o coro "Ô Maradona, vai se f...., o Aécio cheira mais do que você"]. Acho que a imprensa tem obrigação de investigar isso, como deveria ter feito o mesmo em relação ao Caçador de Marajás. Isso não pode ser tratado como coisa menor, como algo regional.
RR: - Há muito especulação de que a informação poderia ter partido de algum tucano relacionado ao governador Serra, o que você tem a dizer sobre isso?
JK: - Não é verdade. Não falei com nenhum tucano a respeito do assunto, conversei apenas com festeiros cariocas, que me confirmaram a história. Esse tipo de especulação é coisa de Fla x Flu. Sou corintiano e denunciei o esquema da MSI.
RR: - Quem é a esquerda recente que você cita no seu último texto?
JK: - O Paulo Henrique Amorim, por exemplo. Ele foi da juventude lacerdista e se calou na ditadura militar. Agora fica com aquele blog dele criticando todo mundo, mas trabalha na TV do bispo. Ele é todo patronal. A única festa para patrão em casa de jornalista que eu fui foi na de PHA, para os Saad, quando ele trabalhava na Band.
[PS: Idelber Avelar me envia um email com um link do blog do Ailton Medeiros que também diz ter recebido informações de amigos a respeito do tapa de Aécio. Tá aqui pro leitor conferir].
Aqui entro eu, blogueiro MR:
Neste mesmo post, na área dos comentários, há três outras intervenções que considero relevantes. A primeira é do próprio Juca Kfouri, às 19:25 do 3/11 (segue em azul), pedindo uma correção, o que significa que ele leu o post e só divergiu em um aspecto do que foi reproduzido pelo Rovai. Escreve o Juca:
Juca Kfouri - 03/11/2009 19:25
Uma pequena correção: "A única festa para patrão em casa de jornalista que eu fui foi na de PHA, para os Saad, quando ele trabalhava na Band".
Imediatamente, o blogueiro faz a correção solicitada e publica a seguite resposta ao comment do Juca (segue em azul):
renato rovai - 03/11/2009 20:17
Ok, Juca. Estou postando sua correção. Entrevista feita na correria e sem gravação às vezes dá nisso. Mas blogue tem essas vantagens. A informação pode ser corrigida também em tempo recorde.
renato rovai
A terceira intrervenção que quero destacar, nos comentários do post transcrito, acontece no dia seguinte, às 15:13, quando o Renato Rovai explica um aspecto da entrevista que estava sendo mal interpretado por alguns dos outros comentaristas. Leiam:
renato rovai - 04/11/2009 15:13
Só pra esclarecer os leitores e comentaristas, quando na entrevista o Juca Kfouri me disse que uma das pessoas com quem checou a informação viu a cena porque ela estava a cinco metros do fato e que outras confirmaram, sem ter visto. Quis dizer que elas ficaram sabendo disso na festa, mas não viram a cena. Talvez na edição da resposta dele, este blogueiro não tenha sido fiel ao que o entrevistado quis dizer. Isso acontece. E é justo fazer o ajuste quando necessário.Aproveito pra esclarecer que ao fazer a entrevista com Juca Kfouri não estou tomando partido algum. Estou buscando esclarecer uma história.Sinceramente, nesse caso acho mais produtivo buscar saber se a história é real ou não do que ficar atacando
a ou b.
grande abraço
renato rovai
Aqui entro eu, novamente. Neste mesmo dia 4/11, o blogueiro Renato Rovai postou (segue em vermelho-vinho, para ficar claro que se trata de outro post) [O link, para quem quiser conferir, é o mesmo colocado acima]:
(04/11/2009 16:01)
Ontem à noite informado pelo professor e blogueiro Idelber Avelar (agora também colaborador da Fórum) que Ailton Medeiros, jornalista do Rio Grande do Norte, também teria sido informado da confusão entre Aécio Neves e sua namorada. Li a nota e imediatamente a publiquei no post da entrevista do Juca. Na mesma hora encaminhei ao Ailton cinco perguntas. Que ele respondeu e publico abaixo. Também informo aos leitores que estou buscando mais uma entrevista para, neste blogue, encerrar a história. Claro, voltarei a ela se algo novo houver. Em relação ao caso, minha opinião é a seguinte. Se não for verdadeiro, Aécio merece retratação dos que estão bancando a história. Se for, merece, no mínimo, o vexame público. Simples assim.
Renato Rovai: - Você poderia me dizer quando ficou sabendo da história e de que maneira? Foi antes ou depois da nota do Juca?
Ailton Medeiros: - Soube na quarta-feira (28) por uma pessoa, numa conversa descontraída pelo MSN. Essa pessoa tem ligações com a irmã de Aécio Neves. Mas me pediu para não publicar nada temendo represália.
RR: - Quem te contou deu algum outro detalhe que não está na nota do Juca?
AM: - Sim, um rapaz filmou a briga com o celular. Informado por um amigo de Aécio, a segurança do hotel ainda tentou apagar a filmagem, mas não conseguiu.
RR: - Você sabe por que essas pessoas haviam ido a essa festa?
AM: - Minha fonte estava no hotel, com uma amiga que trabalha lá.
RR: - Uma delas é do RN e a outra?
AM: - A pessoa que é minha amiga é potiguar, mas mora no Rio há anos. A outra pessoa é carioca e funcionária do hotel.
RR: - Quem te confirmou a história tem alguma relação com o PSDB ou mais precisamente com o grupo de Serra no PDSB?
AM: - Nenhuma delas, mas a pessoa que é minha amiga conhece a irmã do Aécio.
Meu Comentário [Aqui, volta o titular deste PG, MR]
Alguns amigos me mandaram e-mails e outros me telefonaram achando que eu não deveria continuar insistindo neste assunto. Que ele já teria dado tudo o que tinha para dar.
Não concordo. Meu ponto de vista é o de que este caso tem que ficar bem esclarecido, para que não pairem dúvidas no ar. Se houve, de fato, a agressão do Aécio Neves -- seja contra a namorada Letícia ou contra uma outra acompanhante qualquer --, é um fato da maior gravidade, mostra que ele seria um desequilibrado, emocionalmente, e um agressor/criminoso, que precisa ser denunciado e punido com base na Lei Maria da Penha.
Portanto este episódio não pode, como querem alguns, ser visto apenas como uma briguinha ou uma rusga de namorados.
Por outro lado, concordo integralmente com a argumentação do Juca Kfouri no seu primeiro post sobre o assunto, no dia primeiro de novembro, de que "a imprensa brasileira não pode repetir com nenhum candidato a candidato à presidência da República a cortina de silêncio que cercou Fernando Collor, embora seus hábitos fossem conhecidos".
Também entendo que um político que se candidata a vôos mais altos e, sobretudo, que já tem uma imagem pessoal fortemente marcada como possível usuário de drogas ilícitas -- de modo especial, a cocaína, que é a droga preferida dos ricos e dos poderosos -- precisa, em primeiro lugar, se de fato o for, de ser desmascarado e denunciado como tal antes de chegar ao poder -- no caso dele, a presidência da República ou a vice-presidência ou até mesmo uma cadeira no Senado Federal.
Penso, até, que, se for verdade tal situação de consumidor habitual de cocaína, ele já foi longe demais na sua carreira política e precisa de ser desmascarado e detonado o mais breve possível. Não dá para ser levado a sério um político, seja qual for, que tem o hábito de cheirar cocaína.
Como aceitar e como admitir que seja consumidor habitual de cocaína, como está na boca do povo, um governador de Estado, que é o comandante supremo de um governo que, pela Constituição, tem o dever de reprimir o tráfico e o consumo de drogas? Com que moral ele vai exercer esse mandamento constitucional?
Em segundo lugar, se for verdade esta agressão e esta dependência química, o cidadão em referência precisa é de tratamento, como todo e qualquer viciado, desde que reconheça a sua condição de dependente e queira sair dela. Se não quiser, tudo bem, é uma opção individual, mas não venha querer ser um representante do povo e um exemplo de cidadania nos mais altos cargos públicos de um estado ou de uma nação.
Repito mais uma vez: se for verdade tudo isso, chega de hipocrisia na imprensa e de blindagens como as que vêm sendo praticadas em favor do Aécio Neves pela mídia e pelos formadores de opinião pública de Minas Gerais e, também, por todo o resto da imprensa nacional.
Considero inexplicável, asqueroso, vergonhoso, criminoso, e uma blindagem inaceitável que nenhum órgão da imprensa, seja regional ou nacional, tenha registrado, na época, o fato narrado acima pelo Juca Kfouri na entrevista ao Renato Rovai, de que, no dia do jogo Braxil x Argentina, no ano passado -- aquele que o próprio Aécio tentou capitalizar para a sua imagem, investindo uma grana preta na montagem de camarotes VIPs, com convidados especiais e muita badalação, etc. --, a multidão de torcedores, no Mineirão, tenha gritado em coro "Ô Maradona / Vai se foder/ O Aécio cheira mais do que você!".
Embora tal episódio, se aconteceu da forma como o Juca Kfouri relata (não é a primeira vez ouço isso e publico aqui no PG), possa ser visto como uma piada e um motivo de chacota, além de um vexame total para o protagonista, não pode deixar de ser analisado como o reconhecimento de que o playboy e governador Aécio já caiu na boca do povão. E seu vício, se de fato for verdadeiro, já virou motivo de gozação, claro.
Tive a pachorra de ler os mais de 500 comentários que estavam constando até ontem nos dois posts que o Juca Kfouri publicou em seu blog do Uol (o link foi dado no meu post anterior, que está logo abaixo deste), além de centenas de outros comments em outros blogs, e fiquei impressionado com a quantidade de comentaristas que acusam claramente o Aécio de ser um viciado em cocaína. Senti-me constrangido e envergonhado de saber que o governador da minha terra tem a imagem de um moleque "cafungador", "cheirador", tão disseminada...
Alguns chegam a dizer que o seu apelido, nos meios que freqüenta, seria "Aecinho do pó". Acho o fim da picada que isso esteja acontecendo com a imagem de um governador de um estado importante como Minas Gerais, um político talentoso, bom gestor público, relativamente jovem, com um futuro brilhante pela frente, no qual eu, pessoalmente, votei nas duas eleições em que se elegeu e pretendia votar novamente, antes de ter conhecimento destas informações e destes possíveis vexames.
E entendo também que, se tais fatos e acusações forem verdadeiros, a melhor coisa que ele tem a fazer, no momento, é tratar de recuperar a sua imagem, não tentando cooptar jornalistas e veículos de comunicação, como o faz habitualmente, com a preciosa ajuda da sua irmã, mas demonstrando de forma inequívoca que está sendo vítima de calúnias e de difamações.
Ou, então, que trate de assumir que é vítima de uma dependência química que, sabidamente, provoca desequilíbrios emocionais e deixa suas vítimas com os nervos à flor da pele, e, a partir daí, começar imediatamente um tratamento com profissionais especializados, seja aqui no Brasil ou no exterior. O que não dá para aceitar e a convivência hipócrita com essa dependência, como se ela não existisse, caso seja verdade tudo isso.
Se ele se aventurar e prosseguir com as suas pretensões e com a sua candidatura, tendo esses pontos vulneráveis em termos de imagem, é preciso que fique bem claro que a sua reputação está virando pó; e, lamentavelmente, seu futuro não terá nenhum brilho. Para isso, seus adversários, sobretudo os petelhos, já começaram a jogar pesado e sujo. O que eu tenho lido de agressões difamatórias na web, em blogs e sites de esquerdopatas, e, sobretudo, em circulares de internet que já estão sendo enviadas, antes e após este episódio, mostra que a campanha de 2010 será a mais imunda e repulsiva da história desta República.