Esta noite vão dormir preocupados ou até começar a ter insônia pelo menos uns 30 mil petelhos e simpatizantes do Partido dos Trambiques e das Trapaças aparelhados em órgãos do Governo Lula, outras dezenas de milhares de ongueiros que mamam nas tetas federais e algumas centenas de milhares de militantes do MST, do MLST e de movimentos similares, além dos sindicalistas que têm sombra, água fresca e uma rede onde estão acostumados a ficar coçando o saco balançando entre os cofres dos sindicatos, federações e centrais do tipo CUT, CGT e outras.
Uma pesquisa de âmbito nacional feita pelo Datafolha, publicada hoje pela Folha dfe S. Paulo, revela que 65% dos brasileiros rejeitam de forma peremptória a hipótese de um terceiro mandato consecutivo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Realizada entre os dias 26 e 29 de novembro, foram entrevistadas 11.741 pessoas em 390 municípios de 25 estados -- ou seja: foi uma das amostras mais abrangentes já utilizadas pelo Datafolha em pesquisas de caráter político. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Em nenhuma das regiões do país, nem mesmo no Nordeste, onde Lula tem avaliação mais positiva que no resto do país, a hipótese de terceiro mandato consecutivo contaria com o apoio da maioria da população. O Datafolha perguntou aos entrevistados se concordariam com uma mudança na Constituição para dar o direito a Lula de concorrer a um terceiro mandato em 2.010. Apenas 31% apoiariam a idéia, que seriam os eleitores tradicionais do PT nas eleições presidenciais anteriores a 2.002. Para 63% dos entrevistados, presidentes não devem ter esse direito. Observe que a rejeição ao nome do Lula é ainda maior (65%). O percentual sobe para 66% quando se trata de governadores e vai a 67% no caso de prefeitos.
Rejeição generalizada
Relata a editora-assistente de Brasil, Malu Delgado, em sua matéria (segue em azul): "O terceiro mandato a Lula é amplamente rechaçado, segundo a pesquisa, entre os brasileiros mais escolarizados -- 78% com nível superior dizem não à idéia -- e renda familiar mensal mais elevada. Entre os que recebem acima de 10 salários mínimos, 76% não querem a chance de uma nova eleição para o atual presidente.
Mesmo entre os que têm nível educacional e de renda mais baixo a proposta não conta com boa aceitação. Para 58% daqueles com renda familiar de até dois salários mínimos e para 58% dos que têm só o ensino fundamental, Lula não deve disputar outro mandato após oito anos no poder.
O único estado onde a maior parte dos entrevistados se manifesta ligeiramente mais favorável ao terceiro mandato consecutio é Pernabuco, o que se explica provavelmente pelo fato de Lula ser pernambucano de Garanhuns: 51% apoiariam a proposta. Porém, para 46%, a lei deve ficar como está. No Sul do país, a rejeição ao terceiro mandato aumenta. No Paraná, 73% são contra a idéia; no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, 72%. Já no Nordeste, uma mudança legal que abriria a porta ao terceiro mandato é mais bem digerida do que nas demais regiões: 58% rejeitam a idéia e 38% a apóiam. No Sudeste, 67% são contra; na região Sul, 73%".
A posição do Lula
Ao tomar conhecimento do resultado da pesquisa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que ele próprio é o primeiro a criticar a possibilidade de se mexer na Constituição para viabilizar um terceiro mandato. "Sou o primeiro a dizer que é um absurdo tentar neste país mudar a Constituição, que já foi mudada da outra vez para se ter um segundo mandato. Acho que [o resultado da pesquisa] é a sabedoria do povo brasileiro", disse Lula depois de votar em São Bernardo (ABC paulista) na eleição interna do PT.
Lula minimizou o resultado da pesquisa Datafolha que mostrou que nenhum petista hoje aparece entre os favoritos para disputar as eleições presidenciais de 2010. Segundo Lula, é muito cedo para fazer esse tipo de levantamento.
"Qualquer pesquisa para 2010 agora não tem nenhum valor. Nem que o cidadão tiver 100% ou zero de intenção de voto. Os dois estão iguais porque ninguém está hoje com a cabeça em 2010. Só os candidatos", disse o presidente.
O presidente afirmou que sua única preocupação com 2.010 é terminar seu mandato cumprindo as metas estipuladas até lá. "Da parte do governo, o que queremos é cumprir as metas que nós nos propusemos para que a gente possa deixar em 2.010 um Brasil muito melhor do que nós herdamos."
Meus cometários
Com todas as restrições que faço ao Governo Lula, neste tema do terceiro mandato consecutivo sou obrigado a reconhecer que o presidente tem tido publicamente, em todas as oportunidades que surgiram, uma posição de bom senso. Já disse inúmeras vezes que não aceita o terceiro mandato -- e eu confio na sua palavra. Se ele mudar de posição, será para mim uma decepção ainda maior que o seu governo.
Felizmente, Lula não tem se deixado seduzir pelo canto de sereia de alguns puxa-sacos que vivem no seu entorno e, principalmente, por aqueles dois deputerdas do PTT que apresentaram propostas formalmente no sentido de viabilizar a possibilidade de um terceiro mandato -- um deles é mineiro, mas me recuso a citar o seu nome para não dar cartaz a este imbecil.
Desde que um professor aposentado da USP e da Unicamp, que deve estar meio esclerosado, chamado Leôncio Martins Rodrigues, uma espécie de boneco de ventríloqüo do FHC, levantou essa hipótese como simples especulação ou conjectura, no dia 28 de janeiro deste ano -- ou seja menos de 30 dias após a posse do segundo mandato --, venho tachando essa proposta e essa discussão de molecagem e de irresponsabilidade.
Mas ela vem prosperando mesmo assim, ao longo desses 10 meses. De vez em quando alguns palpiteiros, por falta de melhor assunto, colocam esse tema na pauta. Mas, agora, acho que vão colocar uma pá de cal nesse assunto. Mesmo que o Partido dos Trambiqueiros venha a tentar levantar essa tese em seus documentos internos, não tem a menor chance de emplacar. Se fizerem isso, vão virar motivo de chacota.
Confesso-lhes que fiquei surpreso com os resultados da pesquisa e, principalmente, com os percentuais elevados da rejeição ao terceiro mandato consecutivo. Isso é um bom sinal. Significa que o povo brasileiro -- mesmo as pessoas mais simples, das classes C, D e E -- começam a ter uma noção mais séria do que é um regime democrático. Fica claro que até mesmo o povão entende que as constituições existem é para que sejam respeitadas. E não para satisfazer a vontade de governantes que estão eventualmente no poder.

2 comentários:
MR,
Permita-me discordar de sua douta interpretação, assim como da de outro cobra em análise política da atualidade, Noblat, em O GLOBO de hoje.
Acho que o jogo nem começou; só começa depois das eleições municipais do ano que vem e, dependendo dos resultados, abre o leque de opções pro nosso Lulalá (Rita Lee deve morrer de vergonha): ou novo mandato ou mais unzinho, no velho estilo Sarney...
PS: fiquei com a minoria que "absolveu" Renan - também essa até o jegue do Lula acertava...
PS2: LG propõe novo "brainstorming" (regado a muita cerveja) antes do Natal. Prevê alguma vinda por aqui?
Meu caro:
Vou postar hoje à tarde uma matéria sobre a pesquisa Datafolha que está deixando os serristas e tucanófilos em estado de graça, ao apontar o Serra como o pré-candidato que disparou na frentee.
Neste novo post vou comentar sobre esse aspecto que você abordou.
Quando à conversa tipo "brainstorming" regada a cervejotas em BH, não está prevista uma ida minha no momento, mas talvez eu possa fazer esse "sacrifício", para encontrar os amigos e a família. Mas teria que ser na semana entre o Natal e o Ano Novo, aí pelo dia 27 ou 28 de dezembro.
Vamos trocando informações e confirmarei esse encontro tão logo seja possível.
Abração,
MR
3/12 - 13:00
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