segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Mais um neologismo e uma contribuição deste blog para o repertório dos escândalos petelhos: tapiocagate (ou, aportuguesando, tapiocagueite). Rs rs rs

Não pretendia voltar tão cedo ao tema "cartões de crédito corporativo" do Governo Lula, que já foi abordado tantas vezes aqui nas últimas semanas -- e cuja farra combato neste blog há um ano e meio, para ser exato desde o dia seguinte à criação deste Plano Geral. Mostrei isso recentemente num post retrospectivo, no qual dava links para todos os textos anteriores em que abordei o descontrole, a corrupção e o enriquecimento ilícito que vêm acontecendo no Governo Lula a partir desse maldito dinheiro de plástico inventado no Governo FHC. Não que considere o cartão em si um mal; ao contrário: foi uma boa idéia. O problema é o mau uso que está sendo feito dele no Governo Lula e em outros -- provavelmente, também, no governo José Serra, em São Paulo, embora os dados divulgados até agora não confirmem isso.
Mas, ontem, ao ler os jornais, de modo específico as colunas do Clóvis Rossi e da Eliane Cantanhêde -- ambas tratando do mesmo tema com muita pertinência, na Folha de S. Paulo --, tive um insight que merece ser registrado aqui. Reconheço que não é original, mas irônico, jocoso e bem-humorado, lá isso ele é.[Talvez até alguém já tenha tido a idéia de dar esse apelido à crise, embora não tenha encontrado rastro dele no Google].
Tive a idéia de chamar a partir de agora esta crise dos cartões de crédito corporativo de "tapiocagate" , que também pode ser grafado e lido como "tapiocagueite" , conforme a vontade do freguês. Obviamente, a palavra não existe nos dicionários -- é mais um neologismo e uma nova contribuição deste blog ao linguajar popular e jornalístico, embora, na palavra recém-inventada, haja a inclusão de um anglicismo que os puristas não haverão de me perdoar. Entretanto, tal anglicismo pode ser devidamente aportuguesado -- aliás, já o está, na versão "gueite".
Desde o escândalo Watergate, no Governo Richard Nixon, que derrubou do poder o homem mais poderoso do mundo, no início dos anos 70, o sufixo "gate" passou a ser incorporado a todos os nomes informais ou apelidos jornalísticos dos escândalos ao redor do mundo. Principalmente aqui no Brasil, que é um dos países mais corruptos do planeta Terra e entre todas as galáxias -- e onde brotam escândalos todos os dias.
Já tivemos o "collorgate", o "correiogate", o "garotinhogate", o "gasolinagate", o "caseirogate" que também ficou conhecido na versão "palloccigate", vários "lulagates", o "waldomirogate", dezenas de "propinagates", o "vampirogate", o "ambulanciagate" e o "dirceugate", que atende também pelos nomes de "mensalãogate" ou "valeriogate".
A propósito, encontrei na web um texto interessante de Emanuel Souza Quadros, intitulado "X-gate", no qual ele cita exemplos de outras línguas que adotaram o sufixo para identificar os seus próprios escândalos (link aqui), citando como exemplo até o árabe. Vejam este trecho ( segue em bordô para quem não tiver paciência de fazer o link):
"O texto fala de uma manchete de um jornal argelino que traz, em árabe: al-Jazaa’ir `alaa ‘abwaab fad?iihat "aartii-gaayt"! (’Argélia está à beira de um escândalo ART-gate!’)

A notícia já é velha. Fala da situação dos torcedores do norte da África (a Argélia fica por lá -- Language Bar também ensina geografia!) que não poderiam assistir à Copa do Mundo caso as emissoras da região não comprassem os caríssimos direitos de transmissão da ART (Arab Radio and Television) ou se eles mesmo não pagassem por um decodificador, também caro, da ART.

O interessante é o uso de -gate (-gaayt) para formar ART-gate (aartii-gaayt). Esse sufixo se tornou bem comum na imprensa internacional depois do conhecido escândalo Watergate, no início da década de 1970. O nome desse episódio vem do Complexo Watergate, um conjunto de edifícios de luxo em Washington, que serviu de local para os roubos que levaram ao tal escândalo. O lugar tinha esse nome porque ficava próximo a um velho canal chamado de "water gate". Até aí tudo bem, um composto formado de "water", água, e "gate", portão; dá pra imaginar porque um canal seria nomeado assim.

A parte -gate do composto acabou sendo reanalisada como um sufixo, com uma mudança no significado, de modo que as palavras novas que surgiram com a forma X-gate significavam, aproximadamente, ‘escândalo envolvendo X’. Assim, surgiram coisas como Chinagate, Monicagate, Camillagate: escândalos envolvendo a China, Monica Lewinsky e Camilla Parker-Bowles, respectivamente. Aí, -gate já virou uma forma presa, diferente da forma livre gate equivalente a ‘portão’. A Wikipedia traz uma lista com vários exemplos conhecidos, e outros nem tanto, que seguem esse padrão de formação. Meu favorito da lista é Nipplegate, referindo-se àquele "escândalo" no Super Bowl XXXVIII, envolvendo um nipple (’mamilo’) da Janet Jackson - um emprego do sufixo já fora da esfera política".

Mas voltando ao tapiocagate. Não pretendo cobrar direito autoral pelo uso desse risível e hilário neologismo, da mesma forma como não tenho cobrado por outros inventados aqui ao longo desses 16 meses: "neoputanismo", "blognauta", entre outros, e todos os substantivos terminados em "erda" que designam maus profissionais (íxe... são dezenas). Aliás, o próprio sufixo "erda" usado na conotação sempre pejorativa, com a abolição, por desnecessária, da leta "m", também é de autoria deste blogueiro e já foi objeto de um post bem-humorado antigo (03 de novembro de 2006) com o título Considerações em torno do sufixo "erda". Atenção, redatores, blogueiros, lingüistas e etimólogos em geral. Copyright para mim, ok? rs rs rs

O que acho mais divertido no apelido tapiocagate é o cacófato que, à primeira vista, parece ser de gosto duvidoso, que está embutido dentro dele: "...cagueite". Mas pode-se fazer uma leitura mais jocosa e divertida dessa cacofonia: "...cagueite". Rs rs rs

Como todos sabem, o emerdalhamento (pronto, mais um neologismo! -- rs rs rs) é uma das características e das mais notórias especialidades dos militantes do Partido dos Trambiques e das Trapaças, desde que o ator e ideólogo petelho Paulo Betti afirmou solenemente, na frente do Lula, logo que estourou o waldomirogate, nos primeiros dias deste desgoverno, que "não tem jeito de se fazer política no Brasil e de governar sem meter a mão na merda".

Em função dessa especialidade petelha é que eu comecei a chamar o senador Mercadante de Merdacante, fazendo uma inversão quase proposital, a que dei o nome de dislexia digitacional, entre as letras "c" e "d" do seu sobrenome. [quem tiver interesse em conhecer a gênese da gozação, leia o post publicado em 21 de setembro de 2006 - link:

Explicando o Merdacante ]
Da mesma forma, passei a trocar quase automaticamente as posições das vogais "a" e "o" no sobrenome do ex-ministro petelho da Justiça, Márcio Thomaz B..., vocês se lembram, né? Até alguns petelhos mais bem-humorados (eles são poucos, mas existem -- rs rs rs ) gostaram da brincadeira...

Pois, então, estamos combinados: de agora em diante, toda vez em que formos falar ou teclar sobre o escândalo cabeludo do cartões de crédito corporativos do Governo Lula, como, por exemplo, sobre a compra de um cesto de lixo por "apenas" R$ 950,00 (novecentos e cinqüenta reais -- equivalentes a 480 dólares), estaremos nos referindo ao tapiocagate ou tapiocagueite, como prefiram. Conto com a ajuda de vocês para divulgar esse novo apelido do mais recente escândalo petelho... Rs rs rs

2 comentários:

Anônimo disse...

Quaquaqua,

tá de chorar de rir o post, seus amigos pêlo-pubianos (dos trabalhadores) vão adorar também...

E o sósia do Dr Varela, heim?

Carlos Afonso - SP disse...

MR

Desta vez você fez picadinho com os petelhos. O post está engraçadíssimo e os links, ótimos. Realmente, tapiocagate é um grande achado e mata a pau. Se os demais colunistas da grande imprensa não adotarem, é de pura inveja...

Carlos Afonso
São Paulo